Eu resolvi não fechar a porta.
Nada é tão certo como parece. E um sentimento, longe de ser um cálculo matemático, enlouquece.
A verdade é que havia você por todos os lados – no meu imaginário antes de pegar no sono, atravessando a rua em outros corpos, no fundo do copo pra ser meio brega – coisa que o amor é de vez em quando ou sempre.
Havia você nas esquinas(sempre elas), havia você a tardinha quando tudo dói um pouco mais – e claro, havia você até naquilo eu supunha ser livre de você.
Vamos recapitular as velhas dores e quem sabe entender que elas não passaram de fome – da minha que grito e da sua - que finge não existir.
Vamos nos olhar no espelho – e de uma vez por todas: fatos são fatos, entende? E até eu que vivo de palavras tenho percebido que é assim e melhor assim.
Eu não dou conta de tanto desejo. Eu não dou conta da liberdade. Eu não dou conta da calma que você me pede. Eu não dou conta dessa certeza entre um passo e outro e de que basta saber que é amor – sem mais. Eu não dou conta de mim, tão sua, tão perdida às vezes e sempre tão longe.
O futuro incerto incomoda e pesa. O passado incomoda e pesa. O presente incomoda e pesa. Qual o tempo de nós dois? Quando e como?
Enquanto eu não me ouvia, havia uma esperança? Quem entende a criança que eu me tornei depois de você ou esse caos?
Quem sabe fingir, nada compreende. Quem sabe se eu blefasse, quem sabe se eu me calasse, quem sabe se eu caminhasse só um pouco mais..quem sabe sem você?!
Eu resolvi não fechar a porta, mas eu não quero os velhos hábitos, o mesmo jogo, um pouco de “morfina” pra enganar a dor. Vamos combinar? Eu não quero mais nenhuma dor que eu não possa suportar.
Tem um anjinho me dizendo que tudo passa e que tudo pode ser diferente. Um anjinho me avisando que existem flores no caminho, balões no ar e que o barco no porto ,suporta o temporal.
Cansei de ficar na janela me explicando. Ah, mas eu te amo! Ah, nem tudo é o que parece! Ah, ele não é vilão e eu a vítima. Ah, isso cansa – cansa – cansa. E tô jogando todo avesso pro inferno!
A porta está aberta.
Porque? Num canto aqui e num quase pacto; nós sabemos porque!!
(Fabiana Borges)
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