quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Se não era amor...



''Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando à pé pra casa, avariada. 

Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. 

Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor. Era melhor."





Martha Medeiros

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Amo



Seria muito fácil escrever um texto de dia dos namorados pra você não fosse o fato de que você resolveu escrever um texto pra mim também. Assim não vale. Você faz isso muito melhor do que eu e sabe disso. É o seu dom. É o que você sabe fazer, como você mesmo diz. Agora fudeu. Agora vou ter que procurar palavras bonitas, tentar não rimar cão com chão e evitar exclamação. Coisa de publicitário!

Quando eu lia seus textos e tentava entender o que você escrevia, antes mesmo da gente se conhecer, eu já sabia que não ia ser fácil. Quando eu te bloqueava por um mês inteiro no MSN, você nem calculava que eu ia dar muito mais trabalho do que você podia imaginar. É. O começo não foi fácil mesmo. Eu achava que fosse namorar você e continuar solteira. Você de lá e eu de cá. Tudo certo. Achei que dava pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, afinal não era pra ser nada sério mesmo. Mas isso era só o começo.

Isso foi antes de eu descobrir que você organiza as latinhas de refrigerante em linha (!!!) na geladeira. Que você é tão organizado que paga previdência privada e alinha também as almofadas em cima da cama. Que arruma a própria cama. Que arruma tudo que eu bagunço na sua vida. Que você lava as roupas coloridas separadas das brancas e separadas das escuras. Isso foi antes de eu descobrir que eu ia ser só sua. Isso foi antes de eu te conhecer. Isso foi antes de eu me apaixonar. Agora fudeu. Agora eu bagunço sua cama e você não liga. Eu deixo todas as luzes da casa acesa e você vem atrás apagando. Eu faço você assistir Sex and the City comigo - na primeira fila porque eu esqueci os óculos em casa. E você vai. Você faz tudo com o maior prazer. Faz todas as minhas vontades. Me mima. Cuida de mim. Você se preocupa se eu vou arrumar logo um emprego. Você quer me levar ao médico cada vez que eu dou um espirro diferente do normal. Você quer me levar sempre aos melhores lugares. Você faz questão que eu esteja linda. Mais porque sabe que eu me preocupo com a aparência do que por você mesmo. Por você eu poderia acordar e dormir descabelada. Você consegue me achar linda de manhã cedo e fazer eu me sentir a Gisele Bundchen. Você diz que me ama vinte vezes por dia e me faz querer passar o resto dos meus dias com você. Faz eu esquecer que era pra escrever um português bonito, sem palavrões e com tom de poesia.

Agora já era. Ta tudo dominado. Você quer confiscar minha calça jeans velha que marca a bunda, estica o olho cada vez que apita uma mensagem no meu celular e liga de dez em dez minutos toda vez que eu saio de casa depois das nove da noite. E ainda reclama que eu tenho ciúme. Reclama dos meus achismos. Reclama do decote. Reclama da saudade. Reclama do tempo. Reclama de tudo só pra exercitar. Exercitar a chatura. A chatura que eu amo.

Não acredito em datas comerciais. Pra mim, isso é um desculpa sem contexto pras pessoas gastarem dinheiro. E a gente, que deu pra entender de palavras, gasta texto. Eu aqui virando a noite pra colocar no papel meia dúzia de frases legais e você já no décimo sonho porque em meia hora escreve um texto que eu não escreveria nem se passasse todas as noites da minha vida em claro. Por isso prefiro passá-las com você. Pra ver se eu pego um pouco do seu talento pra mim. Pra colar uma linha de cada página que você escreve. Pra ficar admirando suas palavras. Ou simplesmente pra ficar com você mesmo. Pro resto das minhas noites.



Brena Braz

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Você pode ter mil amores, mas...


Você pode ter mil amores, mas somente um vai realmente fazer falta.
Geralmente, esse estava ao seu lado o tempo todo e você não via.
Ou se via, não sabia que necessitava tanto dele...
Entre todos os seus amores, a maioria você vai descobrir que amava porque queria que sonhos se realizassem, planos se concretizassem. Vendo nessa pessoa apenas a possibilidade de realizá-los, concretizá-los...
Às vezes você acha que ama alguém quando, na verdade, ama a história que uniu vocês.
E quando ela acaba, quando ela passa, o que acontece?
Você vive de passado, se prendendo a ele e a quem fez parte dele.
Às vezes você ama alguém por vê-lo como uma conquista,
como um objeto de valor que todo mundo gostaria de ter.
Mas às vezes você nem ama, só deseja, e nem sabe, que por sorte e por merecimento você tem.
É difícil porém amar alguém por esse alguém lhe amar. É aquela velha história: "Quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero."
E o porque de tudo isso??
Porque essa pessoa não lhe ofereceu uma história bonita, em nenhum momento ela lhe fez falta...
Raramente você teve sonhos que coubessem a ela, ou planos...
Porque... você não teve que lutar por ela...
Porque ela não te fez chorar...
Porque ela esteve ao seu dispor, enfim...
O amor chega de outra direção e não é de repente.
Ele surge, ele acorda, se esperta!
Ele não vai te deixar a maior parte do tempo triste se algo chato acontecer, pelo contrário!
Cada minuto será especial e lhe dará mais motivos para sorrir, superando os motivos para ficar triste.
Não procure por um amor, espere!
Não prenda ninguém, quando se ama mesmo não existe posse, existe companhia!
Disponha dos que vierem, não despreze quem não quer e não chore por um fim.
Um amor de verdade, essencial, começa bem... mas não termina bem.
Não termina bem... porque nunca... tem fim.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

.


Eu sei que é difícil. Eu sei que dói e que vai doer mais a cada dia que se passar. Eu sei que respirar sabendo que ele não é mais seu, vai doer. Sei que ouvir o nome dele, e saber que o nós virou passado vai doer. Eu sei que a vontade de ler tudo de novo, a vontade de ver fotos, conversas, momentos, vai ser maior. Eu sei que a vontade de cortar os pulsos vai ser tentadora, porque suportar uma dor externa vai parecer mais fácil que suportar a dor interna
Sei que deixar tudo de lado para se focar apenas na sua dor, vai ser uma das suas escolhas mais prazerosas, e sensatas. Mas não vale a pena
Chore tudo que você tiver que chorar. Lembre de tudo que você tiver que lembrar. Tire um dia só para falar dele. Embriague-se dele. Tenha uma overdose dele. Repita o nome dele dentro da sua cabeça mil e uma vezes. Pense nele antes de dormir, e refaça os seus diálogos. E então, no dia seguinte, acorde para uma vida nova. Deixe ele, e tudo do dia passado, ali, no passado. Não cometa o mesmo erro que eu. Não faça isso pouco a pouco. Não deixe essa dor se arrastar, não deixe isso se transformar em uma semana, em um mês, em um ano. Não prolongue o que não existe. Não faça com que o tempo da sua dor seja maior que o amor de vocês. Entende?
Não é fácil. É insuportável. É como carregar um peso de cem quilos nas costas. Mas por favor, não cometa o mesmo erro que eu. Não diga que tudo está bem quando tudo está uma grande merda. Não diga que não sofre, quando sofrimento é a única coisa que preenche o vazio que ele deixou. Não sorria fingindo uma alegria que não exista. Sofra. Sofra até que esse sofrimento te faça cair, até que esse sofrimento te corroa por completo, e pronto, chega. 
Não deixe que isso se torne seu ar, não deixe que seu coração bata em função disso, e nem que seus pensamentos vaguem em função disso. Passou. Daqui um ano você vai olhar pra trás e vai pensar: Caralho, como eu sofri... Como eu chorei até meus pulmões implorarem por ar... Como eu me machuquei até sentir todo meu corpo adormecido... Até não sentir nada, e ainda assim, sentir você. Como eu gritei, e em resposta só obtive o silêncio. Mas então, foda-se. Foda-se mesmo. Não vire uma masoquista, por favor. Não se engane, não negue, não esconda.. Mas quando a dor sumir, e você tiver que levantar, não escolha continuar no chão apenas para continuar com a sensação de ainda tê-lo. Porque não .. A dor não te deixa mais próximo dele. A dor não é capaz de fazer seu coração saltitar, como ele fazia. A dor não te acolhe em seus braços em noites de tormenta . A dor não te ama, como um dia ele jurou te amar. A única coisa que a dor faz, é te acompanhar durante todos os dias. Para sempre.. Coisa que ele não foi capaz de fazer. E você, mesmo sem querer, ta aprendendo a viver sem ele . Agora, você precisa acima de tudo aprender a viver sem ela. A dor. Você precisa fazer apenas uma coisa: Reerguer-se. Sem ele. Sem dor.


Gabriela Duarte.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O pequeno príncipe

Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteróide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo:É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a gente vai ficando cada vez mais perto. Os passos de todos os homens me fazem entrar dentro da minha toca. Mas os seus passos me fazem sair...


"Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:


- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
Quis, disse a raposa.
Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
Vou, disse a raposa.
Então, não sais lucrando nada!
Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa... 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Orgulho



Mal acordei hoje porque mal dormi. Pisco o olho e vejo seu rosto. Fecho os olhos e seu olhar assustado me olhando, ontem à noite, não me sai da cabeça. E se você quer saber, tá foda mesmo. Tá foda ter que fingir que eu não to nem aí se te vejo com outra. Tá foda esperar por uma ligação que nunca acontece. Tá foda não poder te ligar porque meu orgulho idiota não deixa. Tá foda saber que você não me liga porque seu orgulho muito mais idiota que o meu não deixa. Tá foda agüentar a sua covardia e muito mais a minha que só conseguiu juntar algumas palavras toscas e escrever um texto. Tá foda fingir pra mim mesma que não tá foda toda vez que eu te vejo. Tá foda até quando eu não te vejo.

Eu não sei quantos anos a gente finge que tem, mas a gente não é adulto o suficiente pra conversar como deveria. Eu não sei o que essa merda desse orgulho idiota faz na vida da gente que não deixa a gente ser a gente e simplesmente viver. Que não deixa a gente se entender. Que não deixa a gente se querer mesmo sem entender. Eu não sei e se soubesse também não saberia explicar. O que eu sei é que tá foda te ver e não poder te querer. Ainda ter seu telefone e não poder te ligar. O que eu sei é que por meia dúzia de atitudes idiotas, a gente nunca mais se falou. Meia dúzia e duas pessoas idiotas.

Isso não combina comigo. Fingir que nada aconteceu, fingir que não te conheço, fingir que não te vejo e fingir que não te quero. Pro inferno com esse negócio. Já devo ter te contado que sou péssima atriz. Finjo pra mim mesma e nem eu acredito. E não acredito que você não me quer mais. Não acredito que você me viu ontem e não sentiu um friozinho na barriga. Não acredito que você só me quis por causa da minha barriga. Não acredito que a gente daria certo por mais que uma noite de festa. Não acredito na gente, na verdade. E, mesmo assim, não acredito que seja o fim.

Na verdade, não sei mais em que acredito. Eu, que já acreditei em você, não acredito em mim mesma escrevendo esse texto. Eu, agora, nada sei, só sinto. E o que eu sinto é que eu engasgo com a respiração quando você passa do meu lado. Sinto que o homem forte que você é fica sem saber o que fazer quando me vê. Sinto muito, mas a gente ainda sente. E acho que se não sentisse, a gente deixaria a porra do orgulho de lado. Sinceramente, você nunca foi meu homem-objeto como você pensava. E, no fundo, eu sei que não fui só um corpo que te fez companhia nas festas onde você nunca precisou de mais nada além da sua vodca com energético. Você sempre foi uma boa companhia e um papo inteligente. Eu sempre fui uma piada nos momentos trágicos e um carinho no seu cabelo. E, por mais que eu nunca tivesse acreditado num final feliz pra gente, eu nunca imaginei que o desfecho fosse esse. Nunca imaginei que nosso orgulho fosse separar a gente.

Brena Braz

sábado, 23 de outubro de 2010

Pra você.

    
  "Sempre que alguém nos deixa desse jeito, ficamos com aquela sensação de não ter dito tudo que queríamos, de que podíamos ter feito mais, mas não dessa vez.
       Dessa vez eu sei que eu disse tudo que eu queria, eu sempre te disse o quanto eu adorava você, sempre repeti os mesmos conselhos pedindo pra você criar juízo e parar de fazer besteira, te lembrava o quanto era querido e faria falta, como tá fazendo agora, muita!
       Foi muito egoísmo da sua parte nos deixar aqui, tão cedo, sem você, que apesar de pouca idade fez tudo que tinha vontade, aproveitou como poucos cada dia da sua vida e deixou um rastro de carinho por onde passou. Eu me lembro de muitos momentos importantes dos quais você fez parte, e com eles penso no futuro que você não vai estar e fico triste.
       É impossível passar naquela rua sem recordar de você passando, cada mês com uma namorada diferente, sempre alegre, sempre com novidades, sempre sabendo o quanto chamava a atenção. Seu jeito meio canalha, totalmente descarado, incrivelmente simpático e com uma lábia quase impossível de resistir. Éramos todos muito novos ainda, e o tempo passou, muita coisa mudou mas não o carinho que sempre tive por você. Você era o melhor amigo do meu namorado e eu morria de medo de deixar vocês dois juntos por saber que você não pensaria duas vezes em levá-lo para o "mau caminho", e eu, em vez de ficar totalmente irritada, achava isso engraçado. Porque realmente não tinha como ficar chateada com você.
      Aí veio a época que você parecia ter se acalmado, estava noivo, e eu mega feliz por você, foi aí que você nos deu um grande susto, mas que graças a Deus ficou tudo bem. Mais tempo se passou e os caminhos que todos escolhemos acabaram nos separando um pouco. Passamos a ter menos contato pessoalmente, mas você nunca ficava muito tempo sem me ligar. "Oi, meu anjo...", e eu já sabia quem era. Era aquela voz conhecida e simpática, e eu adorava saber que tinha pensado em mim, já que sempre fui uma amiga ciumenta. Aí você me contava o que andava fazendo, que tava bebendo, que tinha feito tatuagem, que ia ter uma filha, e aí eu me dei conta do quanto crescemos. Eu brincava perguntando como você cuidaria de uma criança se não tinha juízo nenhum, mas tudo bem, você tinha amor.
     Teve o dia que você resolveu me visitar na faculdade, e em poucos minutos já parecia conhecer todo mundo. Bebeu mais do que devia e eu chamei um táxi pra você, inutilmente porque você não queria ir embora, nem se deu ao trabalho de me dar seu endereço novo, me obrigando a pegar seu celular mesmo sem você deixar e pedir socorro a algum amigo que pudesse te levar, e foi isso que aconteceu. Aí você foi embora mal e no dia seguinte me ligou às 8 da manhã, quando perguntei se estava melhor te ouvi pedindo mais uma cerveja pro garçom. É, já tá mais que bem. Novo em folha.
     Sabe, amigo, só eu sei a saudade enorme que tô sentindo de você. Queria muito te dar um abraço, já estava preparada pra fazer isso, semana que vem, seu aniversário. Pedi tanto pra você esperar eu me formar pra poder te defender e você não vai estar aqui pra ver. Mas onde você estiver, eu sei que você sabe, que vai estar sempre aqui, que eu nunca vou esquecer seu sorriso. Se tem alguma coisa que eu poderia ter dito mais vezes, é isso: Eu amo você, pra sempre."




Naira (23/10/2010)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Enfim, nós. E a Claudinha

        "Foram quatro horas e cinqüenta minutos ao meu lado. E ele vai embora feliz da vida achando que conheceu alguém legal. Foram menos de cinco horas e me dá certa pena pensar nos próximos dias, meses. Talvez anos, se ele for algum tipo de corajoso, algum tipo de masoquista.
Eu consegui, por hoje deu tudo certo. Fui inteligente e carinhosa durante o cinema. Depois fui engraçada e um pouco mais carinhosa durante o jantar. Na minha casa eu segui conseguindo, conseguindo ser alguém com quem se quer passar um feriado em Buenos Aires.
Mas tenho certa pena do dia de hoje, tenho certa pena de como esse dia corretinho, linear e brilhante pode ser corroído pelas chuvas, calores e sujeiras. E acabar como algo disforme, fosco e fraco.
Eu queria que você soubesse, meu amor, que sou dessas loucas. Dessas loucas que vai te chamar de meu amor, mesmo você estando na minha vida há apenas uma semana. Dessas loucas que vai querer te matar só de pensar que, talvez, daqui cinco anos, você me troque pela Claudinha, uma menina mais nova e sem as minhas manias insuportáveis que você ainda não conhece.
E aí, mesmo eu te conhecendo há apenas uma semana, 
vou te odiar pelo que vou sofrer daqui a cinco anos. E vou te odiar, sobretudo, porque daqui uma semana, quando você se apaixonar pelas minhas manias insuportáveis, eu vou acreditar que você nunca vai enjoar delas. Eu sou dessas malas sem alça que vai ter ciúme dos seus amigos, dessas pessoas maravilhosas que te conhecem há muito mais tempo que eu. Essas pessoas maravilhosas que serão as primeiras a saber, daqui cinco anos, que você está comendo a vaca da Claudinha. Aliás, eles que vão te apresentar a vaca da Claudinha.
Só de pensar nessa puta da Claudinha, sabe o que eu fiz assim que você saiu da minha casa ontem? Eu liguei para o Pedro. Depois para o Ricardo. Depois para o Fábio. E deixei todos de sobreaviso: ando super carinhosa, gatos.
No fundo, no fundo, não tenho a menor vontade de ser carinhosa com nenhum deles.
Mas sou dessas idiotas covardes que quando percebem que estão gostando de alguém, resolvem gostar de vários. Só para banalizar o sentimento. Só para descentralizar a renda. Olha eu, fazendo piadinha meio de esquerda... olha eu, escrevendo meio parecido com você e dando nomes para personagens. Eu sei que gosto de alguém quando esqueço de não gostar tanto de mim. E eu gosto de você, mesmo sabendo que você gosta de mim por pouco tempo. 
Ai amor, amorzinho, amoreco, moreco. Eu odeio esses carinhos, odeio. Mas falo todos eles baixinho antes de dormir, para o espaço ao lado da cama que ninguém ocupa. E eu sou um pouco mais estranha do que ser estranha permite. Sou estranha além do charme de ser estranha. Eu sou daquele tipo bizarro, que eu nem sei direito se existe, que vai te acordar, daqui a algumas semanas, chorando como se tivesse te perdido para sempre, ainda que você nem saiba direito se fez bem ou não em dormir, logo assim de cara, na minha casa. 
Eu sou sempre cinco anos na frente, eu já começo sofrendo com o fim, eu já tiro a roupa com o gosto meio vazio de resgatar as peças pelos cantos depois. Eu vivo o luto de tudo, antes mesmo de comprar uma roupa colorida pra curtir que você foi embora ontem, lá de casa, querendo voltar. Eu sei que você quer voltar. E eu sei que serei muito feliz por cinco anos, até a puta da Claudinha aparecer. Aquela vaca.
Pensa bem, meu amor, pensa bem. Eu sou daquele tipinho baixo de mulher. Daquele tipinho que rouba o seu celular enquanto você faz seu xixi feliz da vida, achando que conheceu alguém legal. 
Eu sou daquele tipinho raso, que vai xeretar seu orkut, tentando descobrir o que sua ex tinha que te fez demorar tanto para aparecer na minha vida. E vou odiar toda a sua história, e vou odiar que seus amigos sejam amigos da sua ex, e vou odiar que seus amigos vão adorar contar suas histórias do passado. E vou ficar quietinha, perdida, no canto da mesa. Querendo ligar pro Ricardo, pro Fábio e pro Pedro.
Não que eles sejam melhores do que você, porque não são. Mas eu preciso fugir de você ser tão legal
. Porque você é definitivamente muito legal, tão legal que não vai agüentar e me largar daqui cinco anos. Inebriado pela mente menos complexa, pelo peito menos angustiado e pela bunda mais dura. Da Claudinha, claro. Sempre ela.
Ainda dá tempo. Ainda dá tempo de você se libertar do meu cheiro de manga, que você gosta tanto. Ainda dá tempo de se libertar da minha neura de contar as coisas e de não encontrar razão para haver um pão pullman na fruteira. Agora tem graça, mas imagina esse mesmo cheiro de manga e essa mesma conta que soma o mundo sem nunca subtrair nenhuma tristeza daqui cinco anos? Cai fora, irmão. Cai fora.
Não demora muito para eu começar a competir com você. E querer ser melhor que você. E querer isso justamente para que você nunca deixe de me admirar. Mas eu, mais uma vez, sem ter medida de nada, vou te sufocar com meu saquinho furado. Meu saquinho onde todo e qualquer amor ainda é pouco. Porque meu vazio é imenso.
Já imaginou só? Já imaginou quando algum amigo seu apontar e falar: quem é aquela louca ali, berrando no meio da festa e pegando um táxi? E você vai ter de voltar sem graça, e explicar: ela se irritou porque eu peguei a última água com gás sem perguntar se ela queria.
É isso o que você quer para a sua vida? É isso? Uma mulher que bebe refrigerante quente em pleno verão do Nordeste receosa pela procedência do gelo? Uma mulher que tem mais medo de vomitar do que de paraglider? Uma namoradinha meiga que a qualquer momento pode soltar 345 palavrões no seu ouvido só porque você tem mais coisa pra fazer da vida do que me idolatrar?
Combinado, então? Você vai ler agora esse texto, ficar meio tristinho, afinal de contas não é todo dia que se perde uma mulher como eu, mas vai ser forte e terminar tudo. Terminar tudo e ir logo de uma vez conhecer a puta da Claudinha. Essa vaca.
E aí, daqui uns cinco anos, quando você descobrir que mulher é tudo a mesma coisa, quando você estiver enjoado das manias insuportáveis da Claudinha, quem sabe algum amigo seu não me apresente a você. E quem sabe a gente não é feliz pra sempre?





 (Tati Bernardi)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nunca vou entender

        Mais um domingo que você me liga. Igual faz a uns quatro ou cinco anos. Você beija a sua mãe depois do churrasco, dá um oi carinhoso e finalmente pensa sem culpa na sua ex, cheira sua camiseta pra ver se a coisa tá muito feia e descobre que sua vida está prestes a ficar vazia: chegou a hora de me ligar. Você não sabe ao certo o que vê em mim, mas também não sabe ao certo o que não vê. Você sabe que pode ter uma mulher mais gostosa do que eu, mas por alguma razão prefere a gostosa garantida, aquela que ainda ri das suas piadas. Mesmo sendo as mesmas piadas há quatro ou cinco anos.

     Aí você me liga, com aquele ar descompromissado e meigo de quem só quer ir no cinema com uma velha amiga. Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Eu posso ter um cara mais gostoso, como de fato já tive milhares de vezes. Mas por alguma razão prefiro suas piadas velhas e seu jeito homem de ser. Você é um idiota, uma criança, um bobo alegre, um deslumbrado, um chato. Mas você é homem. E talvez seja só por isso que eu ainda te aguente: você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo.
Aí a gente, sem saber ao certo o que está fazendo ali, mas sem lugar melhor para estar, acaba pulando o cinema que nunca existiu e indo direto ao assunto. O mesmo assunto de quatro ou cinco anos que, assim como as suas piadas, nunca cansam ou enjoam.

     E aí acontece um fenômeno muito estranho comigo. Mesmo quando não é bom, mesmo quando cansado e egoísta você não espera por mim e vira pro lado pra dormir ou pra voltar à sua bolha egocêntrica de tudo o que é seu, eu sempre me apaixono por você. Todas as vezes que te vi, nesses últimos quatro ou cinco anos, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra tomar um café de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompido pelo vazio da sua camiseta fedendo a churrasco. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais.

     Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há uns cinco ou seis anos, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.




autor desconhecido

domingo, 10 de outubro de 2010

Depois dos três pontinhos




O cara me amava, e eu nem o notava.

Eu o enxerguei e ele desapareceu.
Pra sempre.

Gostaria de dizer que essa história só aconteceu comigo, mas sei que estaria mentindo. Isso é
tão comum quanto se apaixonar pelo melhor amigo, quanto querer um beijo do professor de
portugês, quanto sentir saudade do ex namorado num domingo à tarde.

Acontece.

Você se apaixona por um cara que aparentemente sente o mesmo por você; ele manda flores e você
cria borboletas. Tudo lindo. Até que em um belo dia ele acorda com vontade de nunca mais... 
Não te liga. Não te atende. Monossilábico. Sim. Não. Depois.

O segredo talvez seja nunca entregar o troféu. Não dizer eu te amo – sempre – primeiro. 
Deixar claro que existem outros concorrentes, outras chances de ganhar. Que o jogo ainda não acabou.

Então amar é jogar um jogo? Não.

Fazer durar pra sempre é.





[Blog depoisdosquinze]

Remar, re-amar, amar



Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer! Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar tambémTá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.

Caio F. Abreu

domingo, 26 de setembro de 2010

Inacabado



Os olhos dizem aquilo que não temos coragem de falar. É por isso que naquele dia eu não olhei nos seus olhos quando você resolveu sentar-se ao meu lado. E então se inclinou e fez um elogio. O único de nossa breve vida juntos. Foi nisso que eu pensei quando entrei naquela capela. Foi disso que eu lembrei. Desse dia. Que eu levei as músicas que marcaram o começo e o fim de tudo. Odeio o cheiro de cravos. E aquele cheiro tomava conta do ambiente. E eu sentia meu estômago dar voltas e mais voltas. Vi sua irmã, sua versão iluminada e leve. Mal falava. Mal caminhava. Quando me viu… me abraçou.

- Ele morreu com o computador ligado…! Você estava falando com ele?

- Não.

Eu nem sabia desse detalhe. Aliás, eu nem queria saber de detalhe algum. Não queria saber de nada, nem ver nada. Queria era fingir que as coisas continuavam iguais. Não consegui me esquivar a tempo. Levei um puta soco no meio da cara. Dessa vez não dava pra desviar o olhar. Só que… dessa vez seus olhos estavam fechados. Pra sempre. E por mais que eu quisesse mergulhar neles, não poderia. E isso doeu tanto que senti o ar faltar. As pernas enfraqueceram, a voz falhou, a dor foi tão forte que transbordei. Chorei. Pretendia chorar até secar quando vi estampada bem na minha cara a realidade fria e pálida. Machucada. Desesperada. Uma explosão numa manhã de primavera. Devastadora. Matou sua alma, devorou seu sorriso, cortou sua pele, desgraçou minha vida, acabou com a sua. Eu estava ali, bem perto. Uma rua depois. Tão perto… O tempo não volta. O maldito me arrasta há três anos e não consegue nos separar. Com unhas, dentes e vísceras eu me agarrei às memórias. E elas me consomem. Os anos passam e elas me consomem. E irão me consumir até que eu deixe de existir. 



Escondi todas as palavras bonitas sob meu jeito ácido de me comunicar contigo. Você respondia da mesma maneira. Eu fazia questão de parar na porta da sua casa e te acordar. Só pra ver o cabelo despenteado e os olhos pequenos tentando identificar quem o chamava. Cachorro no colo. Camisa azul. Meu caro Tycho, eu amava você. E era tão difícil esconder isso… 

Naquele dia, naquela capela, mesmo tentando segurar, esse sentimento escorreu de mim pra dentro de você. Tocar suas mãos frias me dilacerou. Aquela caixa de madeira era tão pequena para a pessoa que você era. Homem bonito de frases sempre irônicas. De inteligência invejável. Homem que meu coração abrigou com tanto cuidado. E naquele lugar com cheiro de cravo todos souberam que com você morreu um pedaço de mim. Todos souberam o que você nunca soube e eu nem precisei dizer. Ficou tão óbvio. Tão estampado. E no momento errado. Não queria que os outros soubessem. Queria que VOCÊ soubesse. Queria gritar a plenos pulmões. Gritar até a garganta sangrar. E fiz isso.



Você nunca respondeu. Três anos depois e nada. Nenhum alívio. E eu enlouquecendo. Vendo seu rosto no rosto do outro. Aquele que me rejeita. Olho nos olhos dele e te procuro, mas não o encontro. Mesmo assim insisto. O rosto é o mesmo. Os trejeitos também. Ele não é você. Eu já me perdi há tempos. Todas as coisas estão girando sem parar. Inacabadas e sem sentido algum. Como eu. Como esse texto. Como você. Inacabado.




Texto de Alice Mary [para seu namorado que morreu]