sábado, 15 de outubro de 2011


"A tua solidão é tão vasta quanto a minha. Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades. E memórias.
Tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. Em segredo.
Tu também te perdes, caminhos errados, pessoas estranhas – o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias. Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas. 
Sem querer?
Não te imagino intencional. 
És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas que é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos. É lá que moram os olhares encontrados, a pele arrepiada, o pé que encosta no outro sem aviso. As mãos dadas. 
Tu me encantas. 
Longe, perto, sem saber..."


(Paula Pfeifer)

Todos os dias...


Todos os dias eu quase te ligo, 
eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer ir no parque? A temporada ta acabando…” 
Eu quase consigo te tratar como nada. 
Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. 
Mas não vira nada nunca.


Caio F. Abreu