segunda-feira, 23 de março de 2009

Mulheres prontas para o beijo

Em qualquer lugar do mundo existe uma mulher pronta para ser beijada.
Uma mulher que espera há muito o homem que lhe dará o beijo arrebatado.
Em Londres há uma mulher assim, esperando a hora de ser beijada.
Veste uma longa saia azul marinho, uma blusa branca de seda e sapatos altos com bicos finos. Ela morde os lábios enquanto espera.
Em Roma, a mulher que espera o beijo inopinado, traz os vastos cabelos soltos e uma calcinha vermelha diminuta que lhe percorre perene o rego largo. Ela aperta os braços enquanto espera.
Em Paris existe uma mulher ansiosa por um beijo impetuoso.
Suas maçãs do rosto salientes, o nariz afilado e o queixo projetado configuram a moldura da cena presumida.
Ela passa as mãos nos seios enquanto espera.
Em Berlim há uma mulher ardente, impaciente por um beijo violento e indecente. Ela está nua por baixo do vestido negro e sua vagina pensa estar chegandoa hora de beijar.
Ela esfrega uma coxa na outra enquanto espera.
Em São Paulo, Salvador, Montevidéu, Lisboa e Madri existem mulheres prontas para receber o beijo veemente.
Em Buenos Aires, a mulher que espera o beijo tem o olhar que ilumina o hemisfério sul.
Ela veste um casacão grená e seus braços são longos como o Rio da Prata.
Ela massageia seus lábios com a própria língua enquanto espera.
No Rio de Janeiro há também uma mulher assim.
Ela é a síntese de tudo quanto pode beijar o beijo.
Cabelos feitos para vendavais. Olhos claros e límpidos como cristais.
Braços e pernas colossais. Coxa e sexo abissais.
Boca harmonizada em ais para que os movimentos linguais cumpram seus desígnios helicoidais.
Seios ávidos por toques espirais.
Ouvidos atentos a declarações de amor triunfais.
Ela veste uma roupa discreta dessas de colegiais
e se arrepende do que fez e do que faz,
enquanto me espera,
sabendo que eu não volto mais.


Fadel.

domingo, 22 de março de 2009

A despedida do amor!


Existe duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel. A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel. Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também. Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar. É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo. Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

(Martha Medeiros)

quarta-feira, 4 de março de 2009



Perguntou o discípulo ao mestre:
Como nos tornamos sábios?
O Mestre respondeu:
Boas escolhas.
E como fazemos boas escolhas?
Experiência - acrescentou o Mestre.
E como adquirimos experiência? - voltou o discípulo.
Más escolhas - disse o Mestre.

- autor desconhecido